Apêndice de criação A.25
Do gênese dos aventureiros
Quero falar dos aventureiros que surgiram com o passar do tempo. É preciso dizer, antes de tudo, que eles não nasceram do nada, como por vezes é contado em Herdeiros do Crepúsculo ou em Os Heróis de Carmun, onde já aparecem numerosos e estabelecidos. A verdade é mais antiga e mais silenciosa. Essa cultura daqueles que tomam a jornada como missão de vida surgiu, sobretudo, após grandes tempos de tribulação.
Pós-período Az-Kharam
Após o domínio de Az-Kharam, quando os homens começaram a se expandir por um mundo ainda por conhecer e povoar, surgiram os primeiros sinais desse espírito aventureiro. Não era algo comum. Os povos viviam reunidos, firmes em suas casas, famílias e linhagens, e raramente se afastavam. O nascimento das sociedades humanas foi marcado pela união, não pela partida.
Ainda assim, houve aqueles que saíram.
Alguns seguiram além das matas, sem rumo certo, guiados apenas por um desejo profundo de descobrir o desconhecido. Eram poucos, mas verdadeiros em sua natureza. Entre eles, alguns encontraram um propósito maior ao longo do caminho. Tornaram-se guardiões, protetores, almas que carregavam uma missão, mesmo sem tê-la buscado desde o início. Havia entre eles afinidade com os elfos, e uma curiosidade que os aproximava de tudo o que era antigo e misterioso.
Mas eram raros. A maioria dos homens permanecia. Apenas alguns caminhavam.
Durante e pós-guerra Nakheli
Foi, porém, durante a guerra Nakheli e nos tempos que se seguiram que essa cultura começou a florescer de verdade. A guerra tornou o mundo instável. Reinos caíram, famílias foram desfeitas, e muitos perderam tudo o que tinham.
Dessa dor, surgiram caminhos.
Alguns partiram movidos pela justiça, outros pela perda, outros ainda pela simples necessidade de seguir adiante. Já não eram apenas solitários. Muitos foram enviados por reis e líderes, em grupos e comitivas, para cumprir missões, proteger terras ou buscar respostas. Outros vagavam sem destino fixo, carregando apenas o que restava de suas vidas.
Foi nesse tempo que passaram a ser vistos como algo distinto. Receberam nomes. Rangers, aventureiros, heróis, andarilhos, membros de comitivas ou sociedades. Não importava tanto o título, mas sim o reconhecimento de que eram diferentes. Eram aqueles que caminhavam quando os outros permaneciam.
O legado
Com o passar das eras, essa essência pouco mudou. Não havia muito a ser moldado além das motivações de cada um. Cada herdeiro carregava sua própria razão, sua própria história, mas todos compartilhavam o mesmo chamado.
O de partir.
E assim tem sido desde então. Até os dias vindouros, enquanto houver mundo a ser percorrido e histórias a serem vividas, haverá aqueles que escolherão o caminho além do horizonte.