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Carmun — Apêndice

Apêndice de criação A.5

06 de março de 2026Autor: Filipe R. França

Sobre o encontro de Yssbräd e o desenrolar da mente de Lorenyä em sua primeira camada

Yssbräd encontra os elfos por acaso, enquanto Lorenyä os procurava por toda Caer-Mwyn. Esse é, naturalmente, o ponto que desperta ciúmes em Lorenyä, visto que seus irmãos compartilham a ideia do Pai, a qual ela julga perigosa e negligente. O ciúmes também surge pelo fato de os elfos estarem iluminados por Yssbräd, gerando um questionamento básico de duas vias: eles escolheram acreditar em Yssbräd ou estão cegos e não conseguem ver a verdade?

A resposta de Lorenyä para essas perguntas é clara:
ou eles não conhecem a real situação, ou foram enfeitiçados.

De qualquer forma, Yssbräd encontra os elfos em uma situação relativamente tranquila. Ele se depara com um grupo que mantém uma sociedade em andamento, já organizada de maneira básica. A chegada de Yssbräd traz aos elfos uma visão direta do que os move e aquece todos os dias, as pedras nos tronos, algo que assusta alguns e desperta grande admiração em outros. Nesse momento, eles não estão em conflito, não estão em guerra; estão apenas aprendendo sobre o mundo e sobre como estruturar sua sociedade, seguindo a cultura élfica básica.

No entanto, a presença de Yssbräd introduz uma diferença sutil que, mais à frente, os dividirá: aqueles que seguirão a luz e aqueles que permanecerão onde estão, pelo temor do desconhecido ou pelo conforto do que já é palpável.

Nota importante sobre a mente de Lorenyä neste momento

É fundamental decidir o que Lorenyä já pensava sobre o Pai e, principalmente, sobre seus irmãos.

É certo que Lorenyä já discordava do Pai, pois, pela primeira vez, sentia-se canalizadora e não autora; ela não conhecia os filhos que se intitula mãe/criadora. Quando seus irmãos não a acompanham nessa procura, surge um pequeno rancor: sua visão diverge da deles. Ainda assim, não é o momento de ruptura, pois, apesar de julgar o Pai, seus irmãos continuam próximos; apenas ainda não conseguem ver como ela.

Mas tudo muda com a chegada de Yssbräd. O ciúmes inicial, por não ter sido a primeira a encontrá-lo, e a admiração dos elfos pelo visitante geram extremo desconforto. O ponto de ruptura, porém, ocorre quando ela ouve os planos de seus irmãos para com os elfos: pretendem levá-los a aprender sobre o Pai e a verdade de tudo. As ideias, apresentadas como se fossem únicas deles (mas compartilhadas com o coração do Pai), mostram a Lorenyä que seus irmãos e o Pai são quase iguais, não cegos, mas conscientes de suas escolhas. Nesse momento, ela percebe que está em uma rédea curta, com uma única saída:

ou retira os pilares do caminho, ou eles transformarão seus filhos em escravos da dor, justificados por um amor.

Para Lorenyä, a rebelião não é uma escolha; é uma necessidade.