Crônica de criação B.9
Da prisão e captura de Lorenyä
Lorenyä, decerto, incitou os Aeloryn contra os Pilares. O que ela não esperava, é claro, era que este murmúrio fosse do conhecimento dos Pilares, que aguardavam o momento certo para agir. Sabiam, pois, que Lorenyä não esperaria a peregrinação dos Mynedon finalizar; ela teria de armar a derrubada antes.
Então, os Pilares se reuniram em segredo e convocaram Lorenyä para uma reunião, da qual não revelaram o motivo, mas que era especial e oficial, convocando também os Aeloryn. E assim sucedeu que, na entrada da cidade dos Pilares, Lorenyä foi impedida de entrar e questionada sobre o ímpeto com que tramava contra as ordens do Pai. Lorenyä não o negou e proferiu palavras de acusação contra eles, alegando a destruição dos próprios filhos e justificando a dor negligente como um amor falso.
Ali se deu o seu julgamento: tomaram-na e acorrentaram-na, a ela e a todos os anjos que ficaram ao seu lado, e levaram-na para o Leste, onde a penumbra adentra Caer-Mwyn, pois a pedra da criação fraqueja. Ali fizeram para ela uma prisão, de onde não sairiam escuridão afora, e colocaram-na lá, presa, até que seus erros fossem alcançados pelo perdão. Caso esse dia não chegasse, as suas amarras não encontrariam liberdade, pois a mancha que corrompe os Aeloryn destruiria Caer-Mwyn com a menor sentença de sua maldade.